Naquela noite as cosias
pareciam estar como de costume. A lua em todo seu esplendor, beijava o
parapeito da janela daquele apartamento escuro. Os sons da cidade grande se
perdiam no silêncio de meu quarto.
Sobre a cama havia
livros, revistas, roupas, anotações, eletrônicos e um corpo. Sim, um corpo.
Onde estaria aquela alma tão perturbada? Aquela que vai junto ao corpo à
Central do Brasil todas as manhãs, e se perde em pensamentos distantes... Onde
está? Talvez esteja ali. Ela só procura repouso. Não eterno, ela não pretende
alcançar o céu. Ela gosta de sair junto ao corpo, andar sobre a areia de
Copacabana e sentir a brisa fria do mar revolto tocar seu rosto, lamber seus
cabelos, e fazer com que o sabor da maresia permaneça em seus lábios quentes.
As ondas levam e trazem o que eu pretendo esquecer. Problemas, questionamentos,
casos mal resolvidos, coisas que nunca terminei, outras que deixei por fazer.
Saudades, amores, falsas esperanças, desilusões, historias, lembranças, sonhos,
medos. Muitos medos.
Não é tão fácil quanto parece. Sair à noite depois de tanto trabalho, entrar no metrô vazio e poder ser olhada, olho a olho, por cada um que ali está, me causa arrepios. Me acostumei com a frieza da cidade grande. A desconfiar de cada gesto, cada olhar e cada movimento.
Andar na rua sem
precisar prestar atenção em tudo, o tempo todo. Não ter medo de ficar em casa.
Não ter medo de estar sozinha. Enfim, não ter medo das pessoas.
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