sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Deixe

Quantas vezes olhei o céu essa noite?
Procurei em cada estrela, cada constelação.
Encontrei.
O sorriso estampado no brilho delas.
Canto minha liberdade.
Te jogo pra fora da minha vida.
Tento. Tento sem querer conseguir.
Fecho os olhos diante do mundo,penso estar a seu lado.

Sonho.

Conto estrelas, sorrio.
Abro os olhos, não vejo nada.
Há coisas sobre a cama,
sinal algum de você.
Fio de cabelo, perfume, nada.
Esteve comigo sem estar.

Piro.

Me entrego.
Deixo que as nuvens me levem.
Me levem daqui.
Me levem pra longe.
Loucuras, sonhos, imaginação.
Deixem que eu viaje a bordo de um cometa.
Vá pra outra dimensão,
longe desses olhos que ferem, que medem.
Realidade dissolvendo à fantasia.
Vejo rostos saltando rostos na imensidão dessa galáxia.
Pare com esse tormento, essa tortura.
Deixe que eu veja a lua sem pensar em você.
Deixe que eu veja a lua sem pensar em nada.
Deixe, me deixe.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Quando?

Busco logica em quebra-cabeças faltando peças.
Juntar cacos espatifados pelo chão,
cortar os dedos, deixar sangrar.
Viver a dor.
Aprender tudo o que ela puder ensinar.
Desfrutar das magoas, das desilusões.
Queimar as fotos, as lembranças.
Apagar o fogo com lagrimas, romper o silencio com soluços.
Gritar enquanto houver voz
Amar enquanto houver razões.

Me entregar a gula.
Pecar, Pecar.
Beber o melhor dos vinhos, 
Saborear o melhor dos beijos.
Mascarar essa dor imensa, 
Que a  falta do teu sorriso faz.

Deitar sobre a relva.
Procurar a sombra da velha árvore.
Corações, nomes, lindas declarações.
Eu só vejo seu nome,
Talhado a fio de canivete velho.
Lembro do rosto, 
olhos apertados, riso escancarado.
Um filme da TV.

Abraço. Cheiro. Chamego. Cafuné.
Onde estão mãos tão macias?
Onde encontro colo mais acolhedor?
Sensação desconhecida,
Quando te tornaste velha amiga?

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Pegadas da alma

Não aprendi a escrever versos.
Vou ao encontro de palavras que me decifrem.
Pintem com cores neutras, esse quadro sem moldura.
Rosto corado, 
olhos secos,
lábios frios e sem cor.
Mantenho os pés no chão, amenizando o enjoo.
Sonhos esquecidos, chances perdidas, medos e mágoas.

Vivo de migalhas, raspas e restos
Mendigando blues, amor e pão.
Sorrindo sorrisos que não me caem bem,
deslumbrada com conquistas impossíveis.
Cavando sentimentos
Garimpando felicidade
Lapidando pessoas sem futuro

Vazios fazem ecoar essa alma sem rumo.
Marcas e cicatrizes,
Feridas que não se fecham.
Rastros apagados pelo vento,
rastros apagados por outros rastros.

Coração, solo arrido.
Germinam as sementes fortes,
sobrevivem as habituadas ao deserto, à seca.
Com espinhos que ferem.
Machucam, destroem.

 Raízes que me fazem falta,
perseverantes, devastadoras.
Calor. Carinho. Apego.
Caminho na direção contraria,
ando em meio as sombras, a penumbra.

As pegadas na areia, os perfumes, a maresia.
Nada desperta desejo.
Fecharam as portas e apagaram as luzes.
Jogaram as chaves no boeiro,
tudo aqui está inabitado.
Há um corpo abandonado, com medo de viver.