Não aprendi a escrever versos.
Vou ao encontro de palavras que me decifrem.
Pintem com cores neutras, esse quadro sem moldura.
Rosto corado,
olhos secos,
lábios frios e sem cor.
Mantenho os pés no chão, amenizando o enjoo.
Sonhos esquecidos, chances perdidas, medos e mágoas.
Vivo de migalhas, raspas e restos
Mendigando blues, amor e pão.
Sorrindo sorrisos que não me caem bem,
deslumbrada com conquistas impossíveis.
Cavando sentimentos
Garimpando felicidade
Lapidando pessoas sem futuro
Vazios fazem ecoar essa alma sem rumo.
Marcas e cicatrizes,
Feridas que não se fecham.
Rastros apagados pelo vento,
rastros apagados por outros rastros.
Coração, solo arrido.
Germinam as sementes fortes,
sobrevivem as habituadas ao deserto, à seca.
Com espinhos que ferem.
Machucam, destroem.
Raízes que me fazem falta,
perseverantes, devastadoras.
Calor. Carinho. Apego.
Caminho na direção contraria,
ando em meio as sombras, a penumbra.
As pegadas na areia, os perfumes, a maresia.
Nada desperta desejo.
Fecharam as portas e apagaram as luzes.
Jogaram as chaves no boeiro,
tudo aqui está inabitado.
Há um corpo abandonado, com medo de viver.
Nenhum comentário:
Postar um comentário